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Cinco artistas plásticos apresentam-se na Galeria Tamar Golan com “Expansão de mentalidade”

Os artistas angolanos Ananias, Cris, Rafa, Lord Cave e Neemias vão apresentar-se na Galeria Tamar Golan com “Expansão de mentalidade”, uma exposição colectiva a inaugurar no próximo dia 08 de Janeiro de 2021, pelas 18 horas. A mostra ficará patente ao público até ao dia 30 de Janeiro, podendo ser visitada de Segunda a Sexta-feira, das 9h00 às 17h00, na galeria de arte contemporânea da Fundação Arte e Cultura, na Ilha de Luanda.
O artista
Caracterizados com técnicas diferentes, os inclinos da Galeria Tamar Golan, para o mês de Janeiro forjam-se na dinâmica desafiante que o mercado oferece e como resilientes perfeitos dão de beber o mundo com a arte das suas mãos. São todos angolanos e figuram a galeria de talentos emergentes, mas com currículos dignos de vênias.
A Exposição

“A MULEMBEIRA ESTÁ A FLORIR”

O processo de criação de um objecto, produto da inteligência, talento e sensibilidade humana, evoca a arte e comunica e participa da sensibilidade do outro. A ideia da expansão de mentalidades por via da produção visual no nosso contexto sempre foi exercida por uma “população artística,” conhecida por “heróis contemporâneos”, sendo que, embora poucos e entregues à sua sorte, não cabiam no pacote de prioridades das decisões políticas do País.
Parafraseando o meu amigo artista visual Don Sebas Cassule, numa das suas intervenções públicas, “A mulembeira há-de florir”; é uma frase que dá sentido à necessidade de metamorfosear cíclos de desenvolvimento, estruturação, enriquecimento e continuidade do processo em alusão.


Associada a muitas outras intervenções de jovens na última década, a presente exposição colectiva de cinco talentosos jovens pintores auto-didactas, com os pseudónimos artísticos Ananias, Cris, Rafa, Lord Cave e Neemias, configura o florir dessa almejada continuidade.


Assim emerge um registo textual e poético mais ou menos convergente na exploração da figura humana sobre coloridos abstratos, reveladora da grande abertura de intercâmbio estético que o mundo globalizado de hoje, por inerência das ferramentas multimédias, oferece. Eis o que nas suas obras os artistas nos proporcionam: Ananias propõe vidas cinzentas e caóticas, num contexto de oportunidades desiguais, por um lado, e um mundo fantasioso promotor de valores destorcidos, por outro; Cris encontra na adopção de características da criança a solução para um mundo próspero e solidário; Lord Cave reflecte sobre as dificuldades das vidas das pessoas urbanas remetidas ao abandono e a indiferença dos sistemas sobre as questões sociais; Neemias situa-se entre a esperança sonâmbula e o acinzentar da vida na cidade, clamando pela paixão e o colorir da existência humana; Rafa exprime paixão por identidades e culturas autóctones fazendo, por outro lado, alusão à necessidade de harmonização e equilíbrio do eco-sistema.


O tempo depura o artista. Assim creio que os apreciadores e amantes das artes poderão ainda continuar a expandir as suas mentalidades com o muito que estes jovens pintores têm para dizer.