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Críticos Literários acusam Cantarelli de Plagiar “Mulher Infinita”, diz brasileiro

Parte 1. Série: Plágios Literários em Angola
Por: Olímpia Salucundji

Imagem/ Bussulo do Livro

Alguns críticos literários angolanos querem, a todo custo, inverter o cenário da história, e acusam o escritor brasileiro de ter sido o plagiador do texto de Lourenço, revelou Paulo Cantarelli, nesta quarta-feira 22.12, ao PRIMEIRO.

Em entrevista ao PRIMEIRO, Cantarelli confirmou a acusação que faz ao Mussango de ter plagiado o seu conto, e lamentou o facto de alguns críticos literários angolanos manipularem a verdade dos factos, e acusarem-no como o plagiador de “Mulher Infinita”

“Gostaria de me defender de algumas acusações que venho sofrendo de certa parte da critica literária angolana, que querem inverter as provas. Eles me acusam de ter sido o plagiador de “Mulher Infinita”. Eles têm de mostrar as provas”, disse Cantarelli.

Em resposta a esta acusação, Hélder Simbad, crítico literário angolano, desmentiu essa afirmação e ressaltou que, a sua posição nunca foi enquanto critico literário e que se assim fosse, partiriam pela elaboração de resenhas.

“Nós não nos posicionamos enquanto críticos literários. Ninguém está defender, porque o Mussango nos diz uma coisa diferente daquilo que o Cantarelli diz. Nós vamos acreditar primeiro em Mussango, porque não conhecemos o Paulo”, disse o crítico literário angolano.

Hélder confirmou que o plágio está comprovado, e que isso já não se trata de um assunto da crítica, mas sim jurídica.

Segundo o brasileiro, desde 2018 que Cintia faz parte de um grupo no facebook, onde Cantarelli, como professor, partilha seus textos e algumas aulas online, foi a partir daí que Cíntia teve acesso ao “Serena” , e afirmou ainda que, Cíntia Gonçalves, terá sido a responsável por retirar o conto daquele grupo e enviar ao Mussango, o que resultou no plágio.

“Eu também soube por alguns jornalistas, lá de angola, que o plagiador fez um pronunciamento na rádio, dizendo que pegou o conto da esposa e que não sabia. Com isso, ele mesmo já admitiu que o conto não é dele”, revelou Cantarelli.

Mabanza Kambaca, representante do Literagris, movimento a que Lourenço faz parte, desconfirmou a informação que Cantarelli teve acesso, e afirmou que Mussango não cedeu entrevista a nenhuma rádio e aconselha Cantarelli a não levar a sério informações de ouvir-dizer.

“O nosso membro não se pronunciou ainda sobre as acusações de forma oficial, tendo mesmo dito aos colegas, que as acusações não correspondem à verdade, e que ele está convicto de que não plagiou. Aconselho o ilustre Cantarelli a não levar a sério informação de ouvir-dizer. A realidade não é a mesma coisa”, disse Mabanza.

Cantarelli afirmou que, alguns críticos angolanos fingem não entender o facto de ele usar, na sua acusação, uma evidência e não uma prova e reforçou que muitos críticos angolanos pegam em evidências e criam espantos, como se a afirmação inteira do acusador se baseasse apenas naquilo.

“Por exemplo, o Lourenço usou o termo cuetero retirado do “Serena”, o que aqui no nordeste do Brasil significa alguém que esconde um grupo de bandidos, já alguns críticos angolanos fingem que em “Infinita Mulher” Lourenço usou o mesmo termo como um simples sinónimo”, realçou Cantarelli.

Para o representante do Literagris, a existência do plágio é real, mas não se sabe se trata de Lourenço ou de Paulo, e para isso é necessário que um dos dois assuma, e que haja uma solução nos marcos da justiça.

“Por tudo que li, tomei uma boa nota de que existe um plágio parcial no conto cujo autor ainda não é conhecido. Neste momento, quem ousar afirmar que entre os dois autores , o sicrano é que plagiou, corre o total risco de cometer um grande atropelo”, afirmou Mabanza.

A Mondrombo, editora com a qual Cantarelli publicou sua obra “Recifenses” onde inclui “Serena”, confirmou que o texto já existe muito antes de 2017, e que neste mesmo ano, 2017, a obra ganhou atenção dos escritores brasileiros, tendo sido vencedora do prémio SESC de literatura 2017.

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Por: Olímpia Salucundji