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Falta de apoio aos artistas preocupa o director nacional da cultura

O director Nacional da Cultura, Euclides da Lomba, defendeu nesta quarta-feira, 06, a criação de um fundo de desenvolvimento cultural para apoio aos artistas e criadores angolanos.


De acordo com o responsável, que falava à ANGOP, o fundo deve ser abrangente a nível nacional, no quadro da política de apoio das actividades artísticas culturais do Estado.

Euclides da Lomba afirma que apoios que vão surgindo no mercado servem apenas uma pequena quota dos artistas deixando outros de fora.


Estes apoios, considerou, que vêm de algumas empresas de bebidas, telefonia e bancos comerciais se fossem canalizados para este fundo abarcaria um número maior de criadores das artes.

Considerou que o Estado deve deixar de ser o maior investidor no sector, abrindo caminho para potenciais investidores, para a criação de novas estruturas em todo país.


“Não temos um mercado de consumo de produtos culturais. Temos que pensar nesta perspectiva e para isso devem ser e terciarizados os serviços através de políticas próprias”, disse.

Para o responsável, o Estado deve deixar de ser o principal investidor no sector das artes, abrindo espaços para os privados investirem na construção de casas de cultura, centros culturais e escolas de formação, bem como assumir os eventos culturais como o Prémio Nacional de Cultura e Arte, o Fenacult, celebrações festivas e a formação de quadros.
Aponta o CEART como a jóia que deve ser vista como investimento da arte, lamentando o desinteresse da própria classe artística na busca de formação e valências para aprimorar a arte da criação.


Relativamente a aplicação da Lei do Mecenato, Euclides da Lomba afirma que apesar de estar a implementado, deve, no entanto, haver maior esclarecimento para que os mecenas possam tirar os benefícios necessários.


Sobre as perspectivas do sector, Euclides da Lomba destaca a necessidade da implementação da carteira do profissional.
Para o também músico, é necessário definir e implementar os estatutos que devem regular a vida cultural dentro do mecanismo de reintegração e reconhecimento social colectivo.


Salientou que o ano 2020 foi completamente atípico e afectou a vida social, económica, pública, cultural e das famílias.
A área da cultura, adiantou, sofreu bastante porque terceiriza diversos serviços como buffet, produção de spots publicitários, designer, som e por conta da pandemia milhares de famílias ficaram sem a sua principal fonte de sustento.
Euclides da Lomba ressaltou que o país está no bom caminho a nível de produção artística, mas tem dificuldades de ver a circulação dos produtos e equipamentos culturais.