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Mussango desqualifica decisão do júri na anulação do prémio

Lourenço Mussango, escritor angolano envolvido no suposto plágio literário ao brasileiro Paulo Cantarelli, desqualificou, nesta sexta-feira 01.01, a decisão tomada pelo jurado na anulação do prémio literário António Jacinto.

Depois de entrar em contacto, pelas redes sociais, com uma acta presidida pelo júri Joaquim Martinho e secretariada pela júri Domingas Monte, Mussango alegou, por um comunicado na mesma rede , que a informação espelhada na acta não condiz com os reais motivos que levaram à anulação do prémio.

Segundo a acta, a anulação do prémio deveu-se ao facto de ter sido comprovado o plágio por parte de Mussango, que recorreu à confluência morfossintáctica, estrutural e de conteúdo, tendo quebrado as regras estabelecidas no ponto dois do artigo terceiro do regulamento do concurso.

Em resposta a esta afirmação, Mussango afirmou que o jurado não analisou as provas materiais que comprovam qualquer verdade, e que, o júri decidiu demarcar-se para salvaguardar apenas a imagem do INIC e do Executivo.

“A informação que consta na acta está longe de ser o verdadeiro motivo da suposta anulação do referido prémio. A verdade é que, sem se analisar as provas materiais que comprovam qualquer verdade, o júri decidiu demarcar-se para salvaguardar a imagem do INIC e, como ambos afirmam, do Executivo”, escreveu.

No seu comunicado, Mussango considera injusta e precipitada a decisão do jurado, e afirma que o prémio é resultado da avaliação da obra e não de excerto de um só conto, como o juri agiu nesta edição 2020.

“Consideramos o posicionamento do júri como sendo precipitado e injusto, visto que a última edição do Prémio Literário António Jacinto foi atribuída a uma obra de oito contos, o que quer dizer que o prémio é resultado da avaliação da obra e não de excertos de um só conto. Ainda mais de excertos que, junto do INIC, provamos ser de nossa autoria” , lamentou.

Para o analista literário Sapuia Wendalica, que falava ao jornal O PRIMEIRO, a decisão do jurado foi a mais acertada, justificando que é importante salvaguardar o prestígio do prémio António Jacinto, do INIC e de toda a instituição literária.

“ … mais do que o cometimento do plágio, foi triste ver a falta de humildade. Espero que se ordene a retirada em circulação de todos os exemplares da obra Mulher Infinita”, disse.

Insatisfeito com a posição de alguns literatas em atacarem o corpo de jurado, por não ter notado com antecedência que o livro vencedor apresentava um conto resultante em plágio, Wendalica afirmou que ninguém tem a capacidade de ler todos os livros do mundo e retê-los em mente.

“Li várias vezes os contos em causa “Serena e Mulher Infinita”, era evidente o plágio e de que lado era. Entre os contos, Mulher Infinta apresenta algo a mais, e ficou muito bem elaborado e é aprazível de se ler. Logo conclui, porque nenhum plagiador retira algo, sem nele acrescentar alguma coisa”, afirmou o analista.

Mussango lamentou ainda o facto de não ter sido comunicado, em nenhum momento pelo INIC e por nenhuma outra entidade ligada ao prémio, e pela forma inadequada como tomou conhecimento da anulação do prémio.

“… Nós não recebemos nenhum comunicado oficial da parte do INIC e/ou de qualquer outra entidade ligada ao prémio, pelo que consideramos improcedente a acta do júri”, ecreveu.

Apesar de discordar de Mussango, ao afirmar que a decisão foi injusta, o analista literário também considerou incorrecta e não credível a forma como a informação foi passada pelo corpo de jurado.

“Infelizmente, o corpo de jurados não foi credível ao usar um papel amarrotado e clandestinamente fazer passar a informação na media num grupo de whatsapp. Mas isso não é motivo de afirmar que a decisão foi injusta, finalizou Wendalica.

Por: Olímpia Salucundji