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Linda Fernando: uma Líder em Moçambique que faz a diferença no Continente africano.

Moçambique tem história.
Um país com história!


Histórias de grandes mulheres que carregam no seu DNA – a força e a determinação da Rainha Achivánjila.
“O trono Achivánjila não chega por linhagem, mas por eleição, pelo conselho de anciões (…) todas obedecendo ao mesmo perfil: Ser forte e inteligente. Forte vontade de superar obstáculos. Ter a capacidade para se dedicar as causas nobres. Altruísmo, bondade, capacidade de dar a vida pela sua comunidade nos momentos de crise. Uma bibi Achivánjila é sempre a árvore de raízes profundas e fiel depositária dos espíritos Mataka”. (Chiziane e Pita, 2013)
Essas são as minhas saudações ao povo de Moçambique. Eliana Oliveira Editora do O Primeiro Brasil.

Eliana Oliveira/ editora – O Primeiro Brasil

Linda Fernando é uma Achivánjila!
Uma mulher que escreve a sua própria história em Moçambique levando-a para todo o Continente africano, ou seja, para o mundo. Nesta entrevista exclusiva com Linda Fernando percebo que sua história e trajetória de vida vem sendo escrita pelas mãos dos seus antepassados de Niassa. Se a Rainha Achivánjila é a Mãe da nação, dos moçambicanos. Linda Fernando é uma Líder dentro desta nação. Ela é a mulher da comunicação! A voz feminina que representa milhares de mulheres moçambicanas. Sua história de vida se entrelaça com a sua trajetória profissional de uma carreira de sucesso. Linda Fernando ama contar histórias, que ela mesma escreve, divide seus sonhos, como ela mesma, diz; estar sempre se colocando à prova, se desafiando, dentro da sua própria história, escrita por ela mesma. Linda Fernando é Co-Founder and Brand Manager Criattus Ltd. E Embaixadora do Turismo de Moçambique. Diretora Operacional e Marcas da Criattus Mozambique, também é Cofundadora e Diretora executiva da Kulani. Atualmente está à frente do projeto de comunicação para o turismo e cultura, “Moçambique sobre 4 rodas”, um Programa de televisão. Ela coordenou e liderou a capacitação de mídia do Programa de Fortalecimento da Mídia no IREX Moçambique, sua liderança também esteve presente na implementação da Mídia Lab Association como entidade Nacional. Co-liderou o processo de estabelecimento da TV Miramar como líder de audiência em Moçambique. Como gestora de Projetos e membro da Comissão Nacional de Migração Digital (COMID), também co-liderou o desenho da estratégia de migração digital da TV Miramar (Record Moçambique), entre outras funções importante no seu país. Atualmente Linda Fernando também é Embaixadora do Turismo para Moçambique, representando o Conselho Africano de Turismo. No âmbito do processo de Integração regional e da Zona de Comércio Livre Continental Africano (AFCFTA). Linda agora está também envolvida numa série de atividades destinadas a comunicar e divulgar as oportunidades associadas a esta integração continental. Como não admirar uma mulher que carrega no seu DNA a Rainha Achivánjila. Nesta história eu consigo enxergar que quando você é uma líder, você está mudando a realidade de muitas pessoas, principalmente de muitas mulheres que se inspiram na sua história e trajetória de vida. Linda Fernando realiza e busca nesta mudança real o que para ela, as mulheres devem criar oportunidades, onde possam existir espaços para todas, compartilharem os seus conhecimentos, ideias, onde o aprendizado seja fundamental para todas crescerem juntas. Imagina!? Mulheres apoiando mulheres é crucial! Para o desenvolvimento e o crescimento da sociedade. Eu confesso que Linda Fernando tem um sonho, onde as pessoas nas áreas rurais tenham as mesmas oportunidades que as pessoas nas cidades. Um sonho legítimo e verdadeiro de equidade. Consigo imaginar através das palavras de Linda que ela sonha com um mundo, com mais respeito por todas as diferentes culturas e povos onde homens e mulheres vivem em uma sociedade mais justa e igualitária para todos.

História sobre uma experiência de poupança para mulheres em Niassa


Entrevista

OPB – Quem é Linda Fernando?
LF – Linda Fernando é uma contadora de histórias que encontrou na comunicação um recurso para produzir conteúdo e produtos de comunicação que apoiem no processo de desenvolvimento e transformação do país, daí vem o slogan da Criattus – Conteúdo que Transforma.

OPB – Onde nasceu?
LF – Nasci na província de Niassa, localizada na parte norte do país, mas cresci em Maputo onde vim viver com a minha irmã quando tinha 10 anos.

OPB – Qual a sua formação?
LF – Gestão Hoteleira e Relações Públicas. Apesar de não trabalhar no sector, o gosto pelo Turismo vem se traduzindo nas relações públicas, através da assessoria e produção de conteúdos voltados para a promoção do turismo e melhoria do desempenho da marca Moçambique.
OPB – Como você se sente sendo reconhecida como o DNA da liderança feminina em Moçambique?
LF – Confesso que não gosto de pensar em mim nesses termos, olho para mim e penso apenas que gostaria de trilhar por um caminho que permita gerar referências. Um dos meus maiores propósitos como profissional de comunicação, é usar a minha capacidade para contar as histórias dos feitos das mulheres. As histórias das mulheres nos vários extratos da sociedade precisam ser contadas, ao conta-las vamos permitir gerar referências locais para as nossas meninas, futuras lideres femininas.

As mulheres cantando uma canção de gratidão em língua local em Niassa

OPB – Antes de iniciarmos esta entrevista sobre você. Me fale sobre o país de Moçambique, através do seu olhar. Em um breve resumo, onde estão os encantos da terra. E o que podemos conhecer sobre Moçambique?
LF – Tinha até a pouco tempo, intenção de sair do país. Pegar em mim e ir viver algures na Austrália ou Nova Zelândia, uma intenção que morreu quando palmilhei o país em 2020. Ao viajar pelo país, dei-me conta que havia por aqui quase tudo por ser feito, o nível de oportunidades para fazer coisas significativas e de alto valor eram infinitas. Penso em Moçambique como um país onde ainda há quase tudo por ser feito. Há inúmeras oportunidades nos diversos sectores reféns apenas de recursos financeiros para serem materializados. Os encantos do país estão nas pessoas, nos sabores, nos ritmos, nos lugares de tirar o fôlego e nas nossas histórias. Moçambique é a maravilhosa pérola do Índico, com um mosaico cultural e paisagístico ainda por lapidar. Cada lugar deste país reserva-nos experiências únicas. Podia ficar o dia todo a descrever Moçambique aos meus olhos, província a província e ainda assim não conseguir esgotar. Fica aqui o convite para todos virem conhecer Moçambique.
OPB – Me apresente Maputo? Sabemos que Maputo é a maior cidade de Moçambique, ou seja, é também o principal centro financeiro corporativo e mercantil do país.
LF – Maputo, a capital política e econômica e como deve imaginar, aqui converge Moçambique. Concentra a maior parte das sedes dos grandes grupos econômicos e empresas, públicas e privadas, mas também é conhecida pelos seus sabores do mar e terra, uma miscelânea de sabores oriundos de todo país. Da baía de Maputo é possível vislumbrar um maravilhoso nascer e pôr do sol.

Momento de gravação da aprendendo Projecto Monitoria de investimentos em Moçambique

OPB – Recentemente você foi convidada para participar da Africa’s Women Day com a participação também de Phumzile Mlambo- Ngcuka ex. Vice-presidente da África do Sul que atualmente é Diretora Executiva da ONU Mulheres. Você pode me dizer a importância deste encontro que celebra o mês da Conscientização do Dia das Mulheres da África?
LF – Foram na verdade convidadas todas as Mulheres Africanas a celebrarem as conquistas das Mulheres Africanas que ousaram ocupar posições de liderança anteriormente ocupadas apenas por homens. Este ano em particular, celebramos as mulheres que nos vários países ascenderam a posições de topo nos seus governos, Presidentes, Vice Presidentes Primeiras Ministras, Ministras e por ai além. São Mulheres que com a sua ascensão, nos permitiram perceber que afinal como mulheres podemos ousar. Foi um momento para igualmente refletirmos sobre a África que queremos construir e mais uma vez reforçar a necessidade de priorizarmos as nossas narrativas como mulheres que querem e devem ser lembradas pelas gerações vindouras. Este evento realizou-se no âmbito das celebrações do dia da Mulher Africana que se comemora a 31 de Julho desde 1962, ano em que se realizou a Conferência das Mulheres africanas e foi criada a organização Pan-africana das Mulheres com objetivo de discutir o papel das mulheres africanas nas várias frentes.

Momento de conversa com o Mestre Naguib Abdula, pintor moçambicano

OPB – Você é uma referência de liderança em Moçambique. Como você se sente diante desta responsabilidade no seu país?
LF – Longe de mim, ainda sou uma líder em potencial, tenho um longo caminho pela frente até que possa efetivamente considerar-me líder. Tenho sim uma grande responsabilidade em praticar o que apregoou. Tenho sempre em mente que alguém algures, olha para mim e se inspira, então exijo muito de mim. Não posso falhar.

OPB – Atualmente você está à frente do projeto de comunicação para o turismo e cultura de Moçambique me fale mais sobre este projeto?
LF- No âmbito da intervenção da Criattus no sector de Turismo, através da produção de conteúdos fui indicada para Embaixadora do Turismo em Moçambique pela African Tourism Board (ATB), Uma entidade Continental criada para fomentar o turismo Intra e Inter africano ao mesmo tempo que visa facilitar o comércio e o investimento no Turismo africano, reestruturar e gerir a marca África, reformular as narrativas africanas, promover o ecoturismo, a conservação e os esforços contra a caça ilegal. O meu mandato como Embaixadora, consiste em coordenar a implementação das várias iniciativas da ATB em Moçambique e no continente Africano. Tal como em Moçambique e à medida que vamos conhecendo os nossos países, percebemos que há também em África quase tudo por ser feito e isso eleva a um outro nível, a minha responsabilidade. Tenho através desta plataforma a oportunidade de contribuir para a imagem percebida de África no âmbito do processo de rebranding de África.
OPB – Também tem o programa de televisão Moçambique sobre 4 rodas que você é produtora. Como surgiu o programa?
LF- O Moçambique as 4 Rodas surgiu da ideia de que devíamos mostrar Moçambique na perspectiva dos Moçambicanos, mas também dar a conhecer Moçambique aos Moçambicanos. Estamos a viajar pelo país e a contar as histórias sobre os lugares, sabores, ritmos, mitos, suas gentes e desta forma conseguir gerar um perfil que permita a quem queira conhecer um determinado lugar saber que tipo de experiências aguardam. Mas também, vamos aproveitar esta oportunidade para disponibilizar uma serie de conteúdos sobre várias experiências que permitam as pessoas perceber que Moçambique não tem apenas histórias de pobreza, guerra e desastres. Moçambique é também terra de sabores picantes marcantes, ritmos inebriantes, cores extravagantes, ruas que falam, arte na mão, terra, mar e selva que proporcionam experiências inesquecíveis e de encher a alma, é também terra de profissionais incríveis. A quantidade de conhecimento e criatividade a que tenho estado localmente exposta, não me deixam mentir. No final pretendemos com esta plataforma, estabelecer uma estrutura de serviços de marketing configurados para o turismo, promover oportunidades de negócios e investimentos e apoiar na melhoria e prestação da marca Moçambique e seus destinos. Os moçambicanos ficarão a conhecer melhor o seu país e os estrangeiros ficarão a querer conhecer.

Momento de conversa com a escritora Paulina Chiziane

OPB – Tenho certeza absoluta que o público deve estar amando assistir e ao mesmo tempo ter um novo olhar sobre Moçambique através do programa. Quais são os pontos positivos e os negativos à frente desta produção do programa “Moçambique sobre 4 rodas”?
LF- O programa ainda não estreou, o processo das filmagens continua e até lá, vamos alimentando o público com algumas fotos e vídeos por formas a que eles sejam parte desta viagem que visa conhecer melhor o nosso país. A única dificuldade que enfrentamos foi a pandemia. O sector do turismo foi definitivamente um dos mais afetados e isso reflete-se na perda da possibilidade de poder usufruir de algumas experiências porque os estabelecimentos fecharam. Mas temos um enorme privilegio de conhecer melhor o nosso país. É um trabalho que fazemos com muito prazer e no meu caso em particular, a oportunidade de experimentar vários sabores e matar o vício pela comida é bastante gratificante. (risos)

OPB – Para mim é sempre um desafio e ao mesmo tempo uma inspiração poder entrevistar uma mulher que está à frente do seu tempo como você. Você atualmente é Embaixadora do Turismo de Moçambique, representando o seu país no Conselho Africano de Turismo. Como você define em palavras Moçambique no turismo internacional?
LF – Somos um produto turístico que precisa apenas de ser empacotado. Temos tudo, sol, selva, estórias, mar, sabores e ritmos, uma cultura milenar, os Big 5, e a simpatia de um povo que sabe bem receber.

Set de gravação do programa Inspirações

OPB – Linda você tem formação em Hotelaria e Relações públicas. Como você se tornou uma produtora de TV?
LF- Como Relações Públicas, trabalhei durante 7 anos como Assessora do Conselho de Administração da Televisão Miramar (Record Moçambique), e para desempenhar esta função tinha a obrigação de conhecer o funcionamento dos diferentes sectores da TV e Rádio. Durante o período em que lá estive, tive a oportunidade de passar por diferentes sectores operacionais como Gestora e isso permitiu-me ganhar bastante conhecimento e experiência pratica que depois me levou ao Programa para Fortalecimento da Mídia na IREX, um grande laboratório de Mídia em Moçambique que culminou com o estabelecimento de 3 entidades locais, o Mídia Lab, H2N e a TV Surdo, 3 entidades nas quais tive o privilégio de participar do seu estabelecimento como instituição local e promover em volta delas uma estratégia de comunicação e networking ao nível das empresas de comunicação social, representações diplomáticas, Governo ONG’s e demais parceiros nacionais e internacionais. Tanto na Miramar como no Programa para Fortalecimento da Mídia, estive sempre exposta a área de produção de conteúdo, e na Miramar em particular, tive a oportunidade de igualmente estar exposta a indústria de distribuição de conteúdo, um espaço onde tive oportunidade de conhecer a dinâmica por detrás da indústria de conteúdos através das maiores distribuidoras e produtoras do Mundo, falo da Fox, Dreamworks, Universal, Disney, Globo, Sony para não falar da Zee Tv das produções de Nollywood. Era inevitável, ganhei gosto e hoje estou aqui, uma Produtora.

Set de gravação do programa Inspirações

OPB – Atualmente você é Diretora operacional e Marcas da Criattus Mozambique. Me fale mais sobre a Criattus?
LF – A Criattus é a realização do sonho de duas jovens que tem em comum o gosto pela comunicação. Eu e a Vanessa Cadir Mussagy, cruzamos o caminho uma da outra no momento certo. Ela estava pronta para voltar ao mercado e eu estava pronta para arriscar como produtora independente. Começamos primeiro com a ideia do programa inspirações. A Vanessa estava pronta para enfrentar as câmeras e eu estava pronta para dirigir. Assim surgia a Criattus, uma empresa de comunicação e eventos corporativos temáticos focada no desenvolvimento de conteúdos e produtos de comunicação com substrato em causas. Contamos com uma equipa de trabalho composta por jovens que querem deixar a sua marca através de um trabalho diferenciado.
OPB – A Criattus Mozambique trabalha também com eventos e comunicação estratégica. Como você administra e desenvolve os conteúdos e produtos de comunicação?
LF – A Vanessa tem para além da área de comunicação, uma vasta experiência na concepção, gestão e produção de eventos corporativos. Esteve durante muitos anos à frente da organização de grandes eventos dentro e fora do país, com destaque para as missões presidenciais e a CASP- a Conferencia Anual do Sector Privado. Na Criattus, para além dos eventos temáticos contratados, temos marcas próprias de eventos como é o caso da Gala de Turismo e a Cimeira Nacional do Sector Bancário, Financeiro e Seguros. Os eventos são parte de algumas estratégias de comunicação e produção e tem servido sempre, como plataformas para geração de conhecimento e informação que visam apoiar a tomada de decisões por parte de quem, de direito. Portanto, existem entre a comunicação e eventos, uma relação de complementaridade.

OPB – Linda você também é Co-fundadora e Diretora executiva da Kulani. Me fale mais sobre a importância da Kulani na sociedade Moçambicana?
LF – A Kulani é uma Organização da Sociedade Civil que tem como objetivo influenciar a formulação de políticas e promover a disseminação de conhecimento que ajude as mulheres a superar os desafios ligados ao gênero nas áreas de Saúde, Nutrição, Ambiente, Pesquisa e Finanças. Portanto, apesar de ter um cunho social, a minha intervenção aqui continua sendo na área de comunicação através da produção de informação que permita as mulheres tomarem decisões informadas sobre as suas vidas.

Linda Fernando e Vanessa Cadir, Sócia e Co-Fundadora da Criattus

OPB – Você liderou também o projeto turístico “Pérola do Índico” e produziu a gala de turismo. Qual foi o intuito deste projeto no setor turístico?
LF- O programa Pérola do Índico foi a minha primeira experiência com a produção na área de Turismo. A Miramar conceptualizou e contratamos uma produtora independente para operacionalizar. Coube a mim na Miramar, a tarefa de Coordenar esta produção como Gestora de Projetos e, conseguimos na segunda temporada a distinção com um prêmio no ART & TUR Festival Internacional de Cinema e Turismo. A Gala de Turismo, foi também o meu primeiro evento no sector e desta vez já com a Criattus em parceria com o Ministério da Cultura e Turismo. Uma iniciativa que visa distinguir estabelecimentos hoteleiros, turísticos e agentes culturais. Viajamos pelo país para aferir no terreno, o que torna cada um dos participantes distinto no seu segmento e no final, através de uma gala, os melhores são galardoados.

OPB – Me fale mais sobre a criação do “Clean e Selo” “Seguro” para o setor de turismo liderado por você?
LF- O Selo Limpo e Seguro é uma iniciativa do Governo de Moçambique através do Ministério da Cultura e Turismo como parte dos esforços nacionais para aprimorar os protocolos de segurança e saneamento nos estabelecimentos hoteleiros e turísticos. A nós como Criattus, coube o papel de concepção criativa, como empresa contratada.

OPB – Linda você atua com muita competência e excelência um dos pontos fortes de grandes líderes. Existe algum método ou segredo para tanta garra e dedicação ao que você faz?
LF- Tanto na Miramar, como na IREX, tive o privilégio de ter experiências práticas de liderança através dos meus Chefes. Paulo Henrique na Miramar e Arild Drivdal na IREX. Proporcionaram-me as bases para aquilo que hoje busco implementar como empreendedora. Como operacional busco sempre colocar-me no lugar dos meus colegas e permitir-me ser efetivamente parte de todo processo. Ainda que com uma abordagem mais dura as vezes (risos). Errar ou não conseguir concretizar por exemplo não fazia parte do meu dicionário de trabalho na Miramar. Com o Paulo Henrique aprendi a acreditar que eu era a minha única limitação, que não existiam missões impossíveis e que eu podia tudo. Hoje tenho a sorte de ter uma sócia que tem a mesma energia e entusiasmo. Se pensamos, então podemos.

OPB- Você também participou no processo de posicionamento da TV Miramar como líder de audiência em Moçambique. Como foi este processo?
LF – Posso seguramente dizer que foi na Miramar onde ganhei gosto pela gestão de marcas e numa situação privilegiada. O facto de ter que conhecer o funcionamento dos vários sectores da TV, obrigava a que eu tivesse que participar em todos processos de execução, da estratégia a operacionalização e, ao longo dos anos acabei percebendo que as marcas são criadas na mente e as relações que estabelecemos com elas baseiam-se muitas vezes no sentimento que elas nos transmitem. Portanto, para além de ter feito parte de equipas multisectoriais também tive a sorte de entrar na Miramar numa altura de reestruturação e posicionamento da marca no mercado.

OPB – Neste processo da TV Miramar você criou uma conexão com parceiros de mídia internacionais além dos distribuidores de conteúdo. Como conseguiu aliar tantas áreas neste processo?
LF – Como Gestora de Projecto, Coordenadora de Programação e Assessora do Conselho de Administração estava exposta a uma serie de responsabilidades que incluíam estabelecer ligações com mercados internacionais, com destaque para Kenya e África do Sul a nível Comercial e Turquia, Filipinas, Brasil, Estados Unidos, México, Colômbia, África do Sul a nível de conteúdo, um segmento com o qual mantenho ainda ligações por conta de alguns projetos da Criattus.

OPB – Como foi assumir a gestão de projetos e fazer parte da Comissão Nacional de Migração Digital (COMID)?
LF – Como Gestora de Projectos e numa altura em que emissoras de todo mundo apressavam o processo de migração da tecnologia analógica para a digital, sensivelmente em 2014 tive a oportunidade de juntar-me a Comissão Nacional de Migração Digital (COMID) através da Miramar, em representação do sector privado de Radiodifusão na CTA- Confederação das Associações Econômicas. Nesta altura o Governo preparava-se para a instalação de uma estrutura piloto de emissão que iria abranger as 10 províncias até Setembro de 2015. Na COMID, pude participar de parte do processo de elaboração da estratégia de migração digital, plano de financiamento e respectivo plano de implementação e discussão com os operadores e sociedade.

OPB – Sabemos que você Co-liderou o desenho da estratégia de migração digital da TV Miramar a Record Moçambique. Como foi?
LF- Sendo pela Miramar representante do sector privado na Comissão Nacional de Migração Digital, Coordenava com o responsável técnico da Miramar e o Administrador Executivo o desenho da estratégia de implementação da Migração Digital e prestava contas e assessoria ao PCA.

OPB – Houve muitos desafios?
LF – A transição da TV analógica para a digital naquela altura, apresentava desafios que ultrapassavam o âmbito estritamente tecnológico, visto que tinha sérias implicações económicas e sociais. Razão pela qual, em 2021 o processo ainda está por concluir.

OPB – Aqui vou destacar alguns dos mais importantes papéis que você desempenhou nesses anos de carreira de sucesso. Você dez parte, dirigiu e produziu diversos conteúdos para TV com destaque para: TV Miramar (Record Moçambique), Moçambique Terra de Oportunidade, Economia e Negócios, Belas Manhãs, Ecos da Independência. Criattus Moçambique as 4 Rodas, Inspirações, Chat com Sheila Ibrahimo, Baía do Índico, Direito e Cidadania, Monitoria de Investimentos, etc. Qual deles mais exigiu de você, esforço mental e criativo? Porque?
LF – Cada um desses conteúdos exigiu e exige de mim coisas novas. Evolui e continuo a evoluir a cada projeto. No geral o Belas Manhãs e o Inspirações marcaram-me muito. O Belas Manhas por ter sido a minha primeira experiência de coordenação de um projeto de conteúdos e pela forma como ele foi pensado e implementado. Estava reunida com o meu Administrador, na altura o Paulo Henrique e ele de repente levantou-se e disse apontando para o programa matinal que estava no ar “liga para o Lucas, vamos lá partir isso”. Fomos para os estúdios e em 30 minutos foi definido o conceito e em 4 a 6 semanas estreava um programa matinal que fez moda e virou referência com direito a réplicas nos outros canais, era o Belas Manhas com Anabela Adrianópoulos. No caso do Inspirações, foi o primeiro conteúdo de televisão da Criattus, fizemos inicialmente com muito poucos recursos mas com a consciência de que tinha de ser feito e divulgado de tal forma que nos lançasse no mercado como empresa de comunicação. A parceria com a Televisão pública TVM e por sinal o canal mais assistido no país foi crucial para o sucesso e credibilidade que o programa granjeou na sua primeira e segunda temporada. Vamos brevemente lançar a terceira temporada e ela vem com uma abordagem que pretende aproximar ainda mais o programa com a sua audiência.

OPB – Em relação ao processo da “Carta de Moçambique”, como foi?
LF – Fazer parte de um dos momentos da Carta de Moçambique foi bastante gratificante, principalmente por conta dos objetivos que nortearam a parceria. Foi em 2018, na altura em que estava na Direção da Associação Mídia Lab. O projeto ia terminar e precisávamos deixar algo significativo na componente de Jornalismo Investigativo e foi quando soube através de um amigo que o Marcelo Mosse, renomado Jornalista Investigativo Moçambicano tinha iniciado um projeto de Jornalismo chamado a Carta. A parte mais difícil desse processo penso que foi convencer o Marcelo, porque ficou bastante intrigado com o facto de que nós sabíamos sobre o projeto e estávamos dispostos como Programa para Fortalecimento da Mídia a dar-lhe o suporte necessário para terminar o projeto, e aconteceu. A 22 de Novembro de 2018, data escolhida pelo Marcelo em homenagem ao Jornalista Carlos Cardoso, foi lançada a Carta de Moçambique.

OPB – Você além de produtora criativa também foi responsável pela gestão de várias campanhas para INATUR, FUNAE, Embaixada do Reino Unido, Movitel, MASC, Centro Terra Viva, Fematur entre outros. Quais deles para você se encaixou bem com os telespectadores de Moçambique?
LF – Algumas destas campanhas, como é o caso de algumas produções para a Movitel, INATUR, FUNAE, FEMOTUR, etc. aconteceram a partir de 2013 através da minha primeira empresa, a Mweko e as demais foram recentemente com a Criattus. Penso mais uma vez que com cada uma delas foi uma experiência de trabalho criativo único, são segmentos diferentes, algumas comunicam como parte do exercício de prestação de contas ao público, outras para posicionamento da marca ou ganhos comerciais. Adquiri novos conhecimentos e evolui com cada uma delas.

OPB – Para mim você é a Dama da Comunicação de Moçambique. Vou citar o que você atualmente desempenha o papel com excelência em Moçambique. Saiba que você é uma grande referência de líder no Continente africano. Linda, vamos lá! Você fez parte de organizações como a Comissão nacional de Migração Digital (COMID), Confederação de Associações Econômicas (CTA) em representação do setor privado (TV e Rádio), África Check, Rede Global de jornalismo Investigativo (GUN) e a Associação de Empresas Jornalísticas (AEJ). E aí!? Me, diz; como conciliar tantas funções numa única pessoa que é você?
LF – Cada uma dessas filiações, aconteceram como parte da execução de algumas funções que fui desempenhando ao longo dos anos. E se até pouco tempo atrás estava bastante focada na área de mídia, hoje como empreendedora, ando igualmente focada em agremiações empresariais a nível continental e sempre com o intuito de buscar capacidade e conhecimento que me permitam fazer melhor o meu trabalho.

OPB – Eu não poderia deixar de destacar mais uma atividade profissional que você está desempenhando com mãos de ferro. Que é ser a Embaixadora do Turismo para Moçambique, em representação do Conselho Africano de Turismo (African Tourism Board). Como é para você assumir esta posição tão importante no seu país?

LF – Esta posição surge como reconhecimento do trabalho que a Criattus tem vindo a desenvolver, em prol do Turismo nacional e vem carregada de enorme responsabilidade. Após avaliação do padrão e qualidade dos conteúdos que a plataforma Moçambique as 4 Rodas se propõe a disponibilizar para a comunicação de Moçambique como destino turístico, a African Tourism Board convidou-me, na qualidade de Coordenadora do projeto e por conta igualmente do meu histórico no sector (ter alguma formação e já ter trabalhado na área) para exercer a função de Embaixadora do Turismo em Moçambique. Função através da qual irei participar na operacionalização e estratégia de rebranding do continente junto com representantes dos 54 países de África. Na mesma senda e por conta imediatamente da exposição e trabalho junto da ATB, surgiu o convite para incorporar a African Association of Women in Tourism & Hospitality, como Assessora para a Área de Comunicação e Relações Públicas e Representante da Agremiação em Moçambique.

OPB – Eu acredito que no âmbito do processo de integração regional e da Zona de Comércio Livre e Continental Africano (AFCFTA), você está envolvida numa série de atividades destinadas a comunicar e divulgar as oportunidades associadas a esta integração continental. Me fale mais sobre este processo?
LF – A Área de Comércio Livre Continental Africana (AFCFTA) é um dos projetos da Agenda 2063 da União Africana, um plano de desenvolvimento continental para o futuro de África aprovado pelos chefes de estado e governos africanos e, porque em uma área de livre comércio, seres humanos negociam, não máquinas, o envolvimento dos diferentes stakeholders é primordial para o sucesso deste processo, um envolvimento que se efetiva de entre outras formas, através de uma estratégia de comunicação e divulgação e é nesse âmbito que irá acontecer a minha intervenção, através da plataforma de comunicação e ligação de negócios Mozambique AFCFTA Portfolio ou abreviadamente MOAFCFTA.

OPB – Linda você é uma mulher bem-sucedida, o que atrai várias parcerias de trabalho. Qual é a parceria dos seus sonhos?
LF – De forma imediata, penso que uma experiência direta de trabalho com a Ex. Ministra das Finanças da Nigéria e agora Diretora da Organização Mundial de Comércio Ngozi Okonjo-Iweala, a paixão dela e sentido de server África me inspira.

OPB – Para você o que falta ser implantado no mercado comercial em Moçambique?
LF- Como empreendedora na área de comunicação, penso ser indispensável uma maior disponibilidade de informação para permitir o acesso as oportunidades e tomada de decisões melhor informadas, mesmo porque “informação é poder”.

OPB – Existe algum lugar especial em Moçambique que para você é único em tudo?
LF – A Ilha de Moçambique sem sombra de dúvidas. Pela magia que a Ilha transborda, é meu lugar preferido.

OPB – Em relação ao Mercado de Moçambique, para você porque ele é o lugar mais visitado pelos turistas?
LF- Pela beleza da fauna e flora, pelos nossos sabores e acima de tudo pelos lugares místicos que o país oferece um pouco por todas as províncias.

OPB – O que você pode destacar como símbolo de Moçambique?
LF- Está aí uma resposta muito difícil, porque Moçambique é de uma diversidade social e cultural incrível, e se eu tiver que mencionar algum, vai ser relacionado a comida com certeza (risos).

OPB- Moçambique tem uma gama de tecidos que são cores que traduz a energia, a alegria do povo moçambicano. Para mim Moçambique é fashion! Que estilista consegue levar para fora esta identidade tão própria do povo moçambicano?
LF – As cores garridas das Capulanas e a infinidade de criações que delas advém, infelizmente ainda não conseguiram ao meu ver cruzar fronteiras de um jeito que se possa dizer tipicamente moçambicano. A Capulana é da África mas Nampula ou a zona norte do pais em particular, tem um jeito próprio de usar a capulana. Lá as cores são mais garridas e o número de capulanas que a mulher usa, dá-lhe um outro toque.

OPB – Quem faz a moda em Moçambique, ou seja, leva o país para fora internacionalmente?
LF – O estilista Taibo Bacar já pertence ao Mundo. Olho para ele e vejo ali alguém que deixou de fazer moda e tornou-se moda. O nível de atrevimento dele é de arrepiar.

OPB – Você tem algum estilista preferido? Quem?
LF – Não. Não tenho. Na indústria e olhando para o negócio pelo Mundo, gosto da Fenty, a marca de moda da Rihana.

OPB – Você é uma mulher muito bonita como você define o seu estilo?
LF – As pessoas a minha volta e a Vanessa em particular, que é também Consultora de Moda e tem marcas próprias, vai com certeza ficar bastante escandalizada, mas eu acho sempre que tenho um estilo muito marginal. Deve ser resultado da forma como eu celebro o meu ser mulher. É envolto a toda uma serie de liberdades que as vezes me torna “molwene”, expressão que significa marginal. Então, acho que tenho um estilo marginal.

OPB – Você muda de estilo com frequência, de certa forma isso é uma ditar moda? Você já tinha visto por este ponto de vista?
LF – Não sei se dito moda, mas o meu cabelo é a minha maior expressão de liberdade. É onde dispendo maior atenção e sinto que define a minha energia para o dia. Outro detalhe que também captura um pouco da minha atenção, são os acessórios. Gosto muito de brincos, colares, missangas e quanto mais exóticos, melhor. (risos)

OPB – Você opina nas roupas que serão usadas nas produções do programa?
LF – Não. Essa é a área da Vanessa e eu só entendo dos aspectos que dizem respeito a combinação com os cenários e detalhes técnicos de figurino e olhe lá.

OPB – Como você cuida da sua mente, ou seja, a espiritualidade é importante dentro desta construção Linda Fernando?
LF- Não massageio e nem faço estudo morfológico dos problemas que me aparecem pela frente. Dos problemas busco apenas o necessário para me permitir gerar soluções. Penso nas dificuldades e problemas que enfrento como o sinal vermelho no trânsito. Um apelo para que eu pare e olhe para os diferentes lados antes de avançar ou até recuar. Durmo e, é como se a minha mente reiniciasse com “novas folhas, novas flores, na infinita benção do recomeço”. Inspiro-me muito na minha ancestralidade. Acredito sempre na presença dos meus ancestrais em todos os momentos da minha vida, é neles que muitas vezes busco conforto nos momentos de “perrengue”, eles são a manifestação da presença de Deus na minha vida.

OPB – Qual é a imagem que você gostaria de passar para os telespectadores de Moçambique?
LF – A imagem real, um país aberto para o mundo.

OPB – Você acredita que o seu estilo também completa a sua identidade como produtora?
LF – Definitivamente sim. Do mesmo modo que no meu estilo não sigo modas, na produção também não sigo muito os manuais. Meu exercício de produção consiste essencialmente em pensar nas pessoas. As que vão implementar e as que vão consumir.

OPB – Você sempre foi uma mulher ligada ao Mundo da Comunicação, existe união neste universo que engloba a moda e a beleza?
LF – Não tenho nenhuma relação com a moda e beleza. Desde os 16 anos que lido com a área de comunicação, um percurso que iniciei num projeto da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), denominado ESH! (Escola sem HIV), como Assistente de IEC (Informação, Educação e Comunicação).

OPB – E a sua personalidade de mulher. Você pode me definir?
LF – A exemplo de muitas mulheres de Niassa e Moçambique, eu sou Achivánjila, uma mulher com histórias que o Mundo desconhece porque ninguém ainda escreveu ou contou.

OPB – Eu te considero uma mulher linda aqui em Moçambique. Você vê semelhanças com as mulheres afros descendentes no Brasil?
LF – Eu prefiro pensar sempre que sou linda em qualquer canto do mundo (risos) e as semelhanças não devem ser senão pelo simples facto de que África é o berço da humanidade.

OPB – Como você define este momento a qual você está vivendo?
LF – Fazer esta entrevista, foi um exercício enorme de introspecção e reflexão sobre o meu percurso como profissional. E este momento é de celebração, por tudo que me permiti viver e fazer. Amanhã não sei, serão novas folhas, mas hoje, hoje eu celebro-me.

OPB – Sei que estamos vivendo momentos difíceis na economia mundial devido o covid19. Essa situação agravou muito na economia aqui em Moçambique?
LF – Moçambique a exemplo de qualquer outro país no mundo, não ficou alheio ao efeito devastador da Covid-19. Empresas fecharam, postos de trabalho perdidos, vidas perdidas e vamos dentro das nossas capacidades como pais, nos reinventando para driblar a pandemia e permitir que a vida e a economia retornem a “normalidade”.

OPB – Quais as novidades que você pode me falar sobre os seus novos projetos?
LF- Não há na verdade muitas novidades, vamos apenas aproveitar os ganhos da pandemia em relação ao acesso as novas tecnologias de informação e usufruir do facto que diminuíram-se as barreiras que afastavam um país do outro. Vamos usar isso como fator de vantagem para fazer e promover negócios no Mundo e como disse antes, há quase tudo por ser feito em Moçambique e África.

OPB – Que lugar no Brasil você gostaria de conhecer e fazer uma parceria de trabalho?
LF – Do Brasil quero muito desenvolver sinergias na área de comunicação, com destaque para Gestão de marcas e distribuição de conteúdo. Criar condições para que conteúdos Moçambicanos sejam acedidos no Brasil, a exemplo do que acontece com os conteúdos brasileiros em Moçambique.

OPB – Acredito que em Angola muitos profissionais da área de comunicação e mídia gostariam muito de conhecer melhor a Criattus. Você estaria disposta a fazer esta conexão comercial?
LF – Definitivamente. A Conexão com Angola é inevitável, para além de outros vários aspectos, somos um povo irmão e temos a língua como recurso comum. Tenho consciência dos ganhos que essa conexão pode trazer para os dois países e penso sempre em Angola, como um campo fértil para ganhos comerciais.

OPB – Agora quero falar um pouco sobre como é viver em Moçambique. Amo conhecer novos lugares, pessoas e principalmente as possibilidades que existem nesses lugares para se divertir e curtir o melhor da vida.
Mozambique way of life.
Modo de vida moçambicano.

Quero conhecer profundamente Moçambique em especial Maputo.

OPB – Um restaurante?
LF – Zambi

OPB – Uma praia?
LF – Praia de Chizavane

OPB – Uma música?
LF – Sonho de Deltino Guerreiro

OPB – Um cantor?
LF – Massukos

OPB – Time de futebol?
LF – Costa do Sol

OPB – Uma cantora?
LF – Lenna Bahule

OPB – Uma fruta?
LF – Manga

OPB – Um prato típico de Moçambique?
LF – Ntolilo

OPB – Um bairro antigo?
LF – Mafalala

OPB – Um programa de TV popular em Moçambique?
LF – Inspirações

OPB – Uma bebida típica de Moçambique?
LF – Catxolima

OPB – Uma vista linda de Moçambique?
LF – Lago Niassa

OPB – Uma vista linda daqui de Maputo?
LF – Campo Di Mare, no Marítimo

OPB – Um acontecimento em Maputo?
LF – Azgo

OPB – Um ponto turístico em Maputo?
LF – Café Acácias

OPB – Um (a) poeta?
LF – Noemia de Sousa

OPB – Um escritor?
LF – Paulina Chiziane

OPB – Um parque?
LF – Parque dos Continuadores

OPB – Uma igreja?
LF – Catedral de Maputo

OPB – Uma comida de rua popular moçambicana?
LF – Matoritori

OPB – Uma praça?
LF- Praça da independência

OPB – Uma região em Moçambique que até hoje mantem as suas raízes ancestrais e culturais?
LF – Niassa

OPB – Um lugar místico em Moçambique?
LF – Majune, terra de Achivánjila.

OPB – Um passeio em Maputo, onde seria?
LF – Marginal

OPB – O que é ser uma mulher moçambicana?
LF- É esta capacidade de conciliar sensibilidade e força para superar obstáculos usando a intuição feminina que nunca falha. (risos)

OPB – Linda você consegue me descrever em palavras o que Moçambique representa para você?
LF – Moçambique é casa!

Conhecer Moçambique é retornar ao passado e ao mesmo tempo estar presente no presente. Numa única verdade que existe, e lá vive em cada moçambicano que constrói aquela nação. O que me faz pensar que tudo é sagrado, quando nos conectamos ao nosso passado. Khanimambu! (Obrigado!) Linda Fernando por conceder esta entrevista exclusiva para O Primeiro.
Khanimambu significa obrigado na língua nativa Changana em Moçambique.
“Confesso que não me preocupa muito a ideia de ser visionária, quero apenas que a minha intervenção na sociedade como profissional na área de comunicação tenha impacto em quem de fato importa, que as histórias que a Criattus conta um pouco por todo país, sejam ouvidas e instiguem as pessoas, as meninas em particular a assumirem o controle das suas vidas. É por isso que nosso slogan é conteúdo que transforma. Nós acreditamos no poder que as histórias tem de gerar mudanças, criar impacto, transformar vidas.” Visionária não, contadora de histórias sim!
Linda Fernando.