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Bairro Mundial: um “mix” de chuva, lixo e falta de transporte

Falta de transporte dificulta a locomoção dos moradores do bairro Mundial,Benfica, Luanda.

O PRIMEIRO
Por: Marta Mumbanda
A população do Benfica,  propriamente bairro Mundial, vêm-se obrigados a caminhar cerca de 13 quilómetros, devido as chuva que se abatem nos últimos dias, deixando as ruas todas alagadas e sem condições de locomoção e com uma escassez de transportes que preocupa aqueles moradores.

Os moradores, sem mais o que fazer, lançam gritos de socorro ao executivo angolano para atender a este problema que cada vez mais tem deixado muita gente sem emprego devido aos atrasos e faltas. O Primeiro, comovido com a situação, contactou alguns moradores e especialistas a fim de entender o fenômeno.

Maria Madalena, moradora do bairro há seis anos, disse que, a falta de táxi é constante, pior quando chove, “somos obrigados a caminhar longas distâncias para conseguir pelo menos camazes. São corridas atrás de corridas todos os dias, quando chove somos obrigados a voltar a pé às nossas casas porque os carros não aceitam vir no bairro, e os camazes que fazem táxi neste tempo, cobram 300 kwanzas” lamentou.

Já para Domingos António, membro da comissão de moradores do bairro, disse que fará de tudo para acautelar a situação alarmante que assola a comunidade, pese embora o administrador afirma não ter planos para o bairro. Salientou ainda, que os moradores devem fazer uma contribuição, e o mesmo ajudará apenas com as catrapilhas e outros materiais necessários.

Rafa Manuel, taxista, também lamentou a situação da zona que trabalha há mais de 3 anos:
” (…) trabalho como taxista do bairro há 3anos,digo que é muito difícil, trabalhamos como um maneira de ajudar os moradores porque actualmente neste bairro os chamados quadradinhos não aceitam chegar aqui, por isso usamos os nossos camazes de areia para acudir essa população(…)” disse.

De acordo com um agente policial ouvido pelo jornal, o trabalho no bairro é manter a tranquilidade e segurança da população, os transportes que fazem táxi não são autorizados porque é risco de vida para a população. “(..) estamos a trabalhar juntamente com a comissão dos moradores para melhorar este quadro(…)” frisou.

Segundo Sociólogo Eduardo Nzimba, a falta de transporte nesta região tem na base muitos factores estruturais e não só, entretanto, os problemas sócias que a falta de transporte causa no referido bairro, são múltiplos, desde o acesso tardio aos serviços públicos essenciais, a manuntenção de bem-estar socioeconómico da população, como as unidades Sanitárias, serviços de notariado, instituições financeiras, serviços policiais e por diante.

Uma vez que não há uma aproximação dos serviços públicos à esta localidade, carência de transporte só dificulta o acesso dos mesmos, causando muitas vezes, morte dos populares, fazendo assim crescer a taxa de mortalidade, o atraso ao local de serviço por falta de táxi causando despedimento, o que culmina com um dos grandes problemas sociais, a pobreza.

Numa visão psicológica, o Dr. Fiódor Valente , afirmou que nos últimos anos, certos distúrbios mentais dos homens e mulheres daquela região, têm sido oriundos da falta excessiva de táxis. Os residentes do bairro em destaque, sempre que se aproxima mais uma jornada laboral ou académica, são consumidos por uma pressão psicológica que causa desvio de atenção, depressão, desmotivação, frustração, revolta e tantos outros distúrbios mentais possíveis. Seguiu o psicólogo dizendo:

“O fluxo de pessoas nas paragens de táxi e a ausência exagerada dos transportes, tem causado frustração aos muitos moradores que vivem a dura realidade”.