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Mártires da Baixa de Cassanje ameaçam governo de João Lourenço

A retirada do feriado nacional alusivo ao Massacre da Baixa de Kassanje, antes celebrado aos 4 de Janeiro, deixou indignada a Associação dos Mártires da Baixa de Kassanje, que considera uma ofensa à memória daqueles que perderam a vida no massacre de 1961.

Segundo o secretário nacional dos sobas, Tiago Katula, que falava em conferência de imprensa, nesta segunda-feira 04.01, a desvalorização política e histórica do 4 de Janeiro de 1961 poderá desencaminhar numa revolta popular no país , em 2022, caso o Governo não reponha a data como feriado nacional.

“Nós só queremos que nos devolvam a data da Baixa de Kassanje, porque senão, verão o que a gente vai fazer. Nós também não somos burros. Nós vamos criar comissões de porta em porta, e em 2022, se eles não nos devolverem esta data, nós vamos ver o que vai acontecer com eles, ameaçou o soba Katula.

Falando à imprensa, o soba disse ainda que, o 4 de Janeiro de 1961 deixou de ser feriado nacional, porque o poder político não valoriza as iniciativas do povo.

“O Governo angolano deve devolver o 4 de janeiro como feriado. este dia deve merecer o descanso dos angolanos, porque o numero de pessoas que morreram nessa hecatombe cometida pelos portugueses é muito superior”, disse o soba.

O secretário lamentou o facto de os sobreviventes da Baixa de Kassanje nunca terem sido tidos nem achados, e afirmou que, nenhum sobrevivente do 4 de Fevereiro e do processo 50 sofreu mais do que os sobreviventes da Baixa de Kassanje.

“Muita gente que está aí na caixa social, diz que é do processo 50, outros dizem que são do 4 de Fevereiro não tiveram mais sofrimento do que os sobrevivente da Baixa de Kassanje. Os sobreviventes da Baixa de Kassanje não são tidos nem achados, seus filhos e mulheres hoje se tornaram analfabetos, não são tidos nem achados, porque o governo não valoriza a iniciativa do povo”, lamentou.

Em ocasião, o soba criticou também o comportamento dos deputados da Assembleia Nacional por votarem na retirada desta data, e desabafou pelo facto de os deputados terem um salário maior do que os sobas, num país onde eles, deputados, já encontraram tudo feito e organizado.

“Uma assembléia nacional, que só estão aí pelo voto do povo, não pode nos discriminar. Eles todos, que estão aí na Assembléia, vieram por benefício da independência que nós os sobas conseguimos. Nos, os sobas que começamos com isto, recebemos 20 a 22 mil kwanzas de subsídios. Ainda há sobas que recebem apenas 15 a 18 mil kwanzas”, revoltou-se.

Ousadamente, o soba garantiu: os antepassados já estão a funcionar, o poder também já está a funcionar, não é fácil que entre eles estão a se combater, estão a se dar tiros nas pernas, porque chegou a vez deles. Têm de devolver a nossa data. A data da Baixa de kassanje é a mãe de todas as actividades cá em Angola, disse.

Por: Olímpia Salucundji